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Convite à convivência consigo mesmo

Publicado em 06/04/2020 no LinkedIn

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Em tempos de Covid-19 e quarentena, quero aproveitar esta minha primeira publicação para o Hashtag Mulher (gratidão, Elda!) para fazer um convite à reflexão interna e ao autoconhecimento.

 

Tem-se falado bastante sobre o nosso atual estado de enclausuramento e as dificuldades associadas ao distanciamento social. Somos seres sociais. Evoluímos e chegamos até aqui graças, principalmente, à nossa capacidade de união e trabalho conjunto em prol de um mesmo desafio, problema, objetivo. Além disso, há vários estudos que confirmam a importância de nossos relacionamentos para o nosso bem-estar e satisfação perante a vida. Inclusive, é para a família e os amigos que se volta muito da atenção de pacientes que se encontram em tratamento paliativo, o que reforça o papel das conexões sinceras e saudáveis em nossas vidas.

 

Mas... Fico aqui pensando: uma semana, ou até duas, já seria tão prejudicial assim? Confesso que não sei se há estudo sobre isso. Mas sei que há retiros de silêncio e meditação, por exemplo, que duram esse tempo ou mais. Sim, depende de certa prática. E sim, nossa atual situação também não é tão “extrema”.

 

Então, o que acontece?

 

Não aprendemos a passar tempo com nós mesmos. Associamos isso a tédio, chateação, angústia, tristeza. E não é isso. Para nos mantermos íntegros e saudáveis, para nos conhecermos e entendermos nossas emoções e pensamentos, necessitamos parar e ficar um pouco conosco. Aprender a identificar e nomear o que estamos sentindo, rever nossas atitudes, questionar nossas crenças e pensamentos. Identificar e buscar a origem de determinados comportamentos e hábitos que não estão sendo tão saudáveis assim. Olhar com coragem para tudo aquilo do que costumamos nos defender, negar, ou mesmo “não ver” no dia a dia. Aceitar nossas fragilidades, nossos erros, nossas imperfeições e, assim, sermos mais tolerantes com nós mesmos e com os outros.

 

É este o meu convite para você hoje: que tal aproveitar esse momento e vivenciar um pouco de introspecção? Que tal voltar o seu olhar e atenção para si, enquanto ser humano, com suas forças e fraquezas, alegrias e tristezas, prazeres e dores? Isso tudo nos compõem. Somos seres “duais”, com experiências “duais”. Emoções, sentimentos, pensamentos e forças opostas e complementares ao mesmo tempo. Somos e vivemos uma combinação desses fatores “concorrentes”, infinitos gradientes de cinza entre o preto e o branco. E cabe a nós aprender a parar, observar e aceitar, para então promovermos uma boa convivência conosco mesmos e partirmos para transformações positivas e duradouras.