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Ensinamento da Fórmula 1

Publicado em 08/01/2020 no LinkedIn

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O ano é 1950. A cidade, Indianápolis. Ao final do pit stop de Bill Holland, segue o comentarista "Holland parte, apenas 67 segundos depois de parar".

 

"A-pe-nas" 67 segundos?!

 

O ano é 2019. A cidade, São Paulo. E a equipe RBR quebra, pela terceira vez no ano, o recorde de pit stop mais rápido, com 1s82.

 

0... 1... 2. Pronto! Os quatro pneus foram trocados!

 

Os números impressionam. E nos fazem lembrar, mais uma vez, quão rápido estamos caminhando - ou correndo - em direção ao futuro, e o tamanho do impacto do avanço da tecnologia em nossas vidas. Mas não é sobre isso que vim falar.

 

Há alguns jargões típicos do mundo dos negócios cujo uso me deixa, confesso, indignada, às vezes. Transformam-se em regras universais ou justificativas plausíveis, podendo até mesmo levar um quê de conforto aos envolvidos, do tipo "é assim, não podemos fazer nada". Quando as ouço, inevitavelmente, associo ao "sempre foi assim" e, portanto, à parábola dos macacos e as bananas, a qual ilustra os aspectos negativos dos paradigmas.

 

Mas, se tem uma coisa que eu gosto, é de provocações sadias. Adoro! Gosto daquelas frases impactantes, que trazem novidades ao meu mundinho de ideias. Daquilo que bate de frente com minhas crenças ou que causam uma reviravolta nos meus pontos de vista e conclusões. Não me importa muito se são "bregas" ou "batidas", se são "verdades absolutas" ou "exceções". Porque o meu objetivo é, simplesmente, pensar algo que não havia pensado antes. Expandir, gerar opções, relativizar, exercitar. Mesmo que essas provocações sejam feitas de mim para mim mesma. Como nada é absoluto, a ideia é olhar por outros ângulos. E é esse o meu convite para você aqui.

Tá. Mas o que isso tem a ver com o pit stop?

 

Bom, uma dessas expressões é a tão falada "trocar o pneu com o carro andando". Conhece? Quantas vezes já ouviu esta expressão? E no último mês?

 

De forma simplificada e resumida, é usada quando há situações, problemas ou projetos a serem resolvidos ou desenvolvidos paralelamente a tudo que já vem sendo feito. A ideia é: não é possível destinar nenhum recurso extra, de qualquer tipo, para esse algo não planejado; temos que fazer isso mais tudo o que já estávamos fazendo.

 

Ok. Mas, isso é realmente possível?

 

Na minha momentânea humilde opinião, não consigo imaginar que seja. Algum recurso extra será usado: tempo, energia, dinheiro... Pode ser pouco, pode ser muito. Pode causar ganhos, ou prejuízos. Diminuir ociosidade, gerar uma inovação, ou ser mais do mesmo. Mas o fato é que será necessário dedicar algum recurso para isso.

 

E aí penso no pit stop: será que, se fosse possível o piloto trocar os próprios pneus com o carro andando, ou com os mesmíssimos recursos, as equipes da Fórmula 1, e demais corridas automotivas, já não o teriam realizado? Afinal, estamos falando de um esporte altamente competitivo, tecnológico e que movimenta uma quantidade considerável de dinheiro.

 

Sabe qual é a diferença?

 

A diferença é que o pit stop deixou de ser algo sem importância, onde era considerado normal e inevitável, e passou a ser um assunto estratégico. Tão estratégico que, hoje, pode definir o vencedor de uma corrida. Ele foi notado, priorizado, analisado e aprimorado. E assim continuará sendo.

 

Você vê alguma semelhança com o nosso momento atual?